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À espera de corpos, famílias em Brumadinho vivem angústia, luto e alívio

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À espera de corpos, famílias em Brumadinho vivem angústia, luto e alívio

Após mais de uma semana de buscas por vítimas do rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho (MG), grande parte das famílias dos mais de 200 desaparecidos perdeu as esperanças. A angústia da espera por notícias se mistura ao luto da perda ou, em alguns casos, ao alívio trazido por novos corpos identificados.

O apontador de obras Gilberto Cairo de Oliveira viveu os três sentimentos ao longo dos últimos dias. O filho, o mecânico Rodney Sander Paulino de Oliveira,  estava no local do rompimento da barragem no dia da tragédia.

Durante a semana, Gilberto foi várias vezes ao IML (Instituto Médico Legal) para cadastrar dados de seu filho e esperar informações sobre as buscas. Na manhã do último sábado (2), já conformado com a possibilidade de não encontrar o filho vivo, queria apenas oferecer “um enterro digno” ao rapaz.

Arquivo pessoal
Rodney de Oliveira, 27, estava próximo à barragem 1 no momento em que ela se rompeu Imagem: Arquivo pessoal

No final da tarde, a família recebeu a notícia de que o corpo de Rodney havia sido identificado. Um dia depois, neste domingo (3), ele foi enterrado no município de Congonhas (MG), onde vivia com a mulher.

“O meu alento foi ter encontrado o corpo dele pra gente sepultar”, afirmou o pai de Rodney. “O resto da família está naquele estado. Tinha uma multidão de gente no enterro do moleque. Todo mundo está abismado de ver a quantidade de gente. Era uma pessoa de ouro”, disse.

Gilberto também mora em Congonhas (MG) e trabalha em uma das barragens da cidade — uma delas, cinco vezes maior do que a que se rompeu em Brumadinho. Além de lidar com a perda do filho, admite o medo de que a região seja novamente atingida por desastres do tipo. Mas diz não ter outra opção de trabalho.

“É um perigo iminente”, afirma o apontador de obras. “O emprego que nós temos aqui é essa mineração. Eles vão ter tomar providências (para evitar que outras barragens se rompam)”, acredita.

DEMORA NA IDENTIFICAÇÃO DOS CORPOS AUMENTA ANGÚSTIA

A família de Alisson Pessoa Damasceno vive longos dias de angústia. No último dia 25, uma semana depois de completar 38 anos, ele estava na área administrativa da barragem, onda faria o exame admissional para começar a trabalhar como frentista da Vale na semana seguinte.

Casado pela segunda vez, Alisson tinha um filho e vivia com a mulher no município de Sarzedo. Depois do rompimento da barragem, a família não teve mais notícias de seu paradeiro.

Na noite da última quinta-feira (31), por meio de uma funcionária do IML, a família recebeu a informação de que um corpo havia sido encontrado com os documentos de Alisson no bolso. Desde então, os parentes aguardam uma confirmação oficial sobre a identificação.

“Desde sexta, a família levanta todos os dias e fica de prontidão para aguardar a liberação do corpo”, afirma a professora Meire Dutra, tia de Alisson. “Daqui a pouco, nós vamos ter dois óbitos: o do filho, que já foi, e o da mãe, que está indo, porque ela está inconsolável.”

Oficialmente, o IML não confirma a identificação do corpo de Alisson e o nome dele permanecia na última lista de desaparecidos divulgada pela Defesa Civil no domingo (3).

Arquivo pessoal

Alisson Damasceno, 38, foi fazer exame admissional no dia do rompimento da barragem.

E não voltou

APÓS IMAGENS DO DESASTRE, IRMÃ DE VÍTIMA QUER UM DESFECHO

Arquivo pessoal
Elis Marina, 24, desaparecida desde o rompimento da barragem Imagem: Arquivo pessoal

Em Cachoeira do Campo, um distrito da cidade de Ouro Preto (MG), a família da técnica de segurança no trabalho Elis Marina da Costa, 24, passa por drama semelhante. Sem notícias ou pistas sobre a jovem, Larissa da Costa já cogita a possibilidade de que o corpo da irmã nunca seja encontrado.

Elis era uma das integrantes da equipe de uma empresa terceirizada que trabalhava na área externa da barragem no momento em que ela se rompeu. Dos cinco funcionários, apenas um sobreviveu, e os outros quatro permanecem desaparecidos.

Depois de ver as imagens do exato instante do rompimento, divulgadas na última sexta (01), Larissa passou a acreditar no pior cenário. “Infelizmente, acho que a gente não vai encontrá-la”, diz a irmã de Elis. “Ela estava no meio da barragem. Quando vi o vídeo, eu falei: gente, não tem nem 1% de chance de eles estarem vivos. Infelizmente, não tem um pingo de chance.”

O último contato de Larissa com a irmã aconteceu na manhã do dia 25. Quando soube do rompimento da barragem, ela ligou diversas vezes para os dois celulares que Elis levava. Sem resposta. Hoje, ela diz que deseja apenas encontrar uma maneira de superar a perda que passou a sentir a partir daquele dia.

“A única coisa que a gente espera é que encontrem o corpo, pelo menos pra gente fechar essa parte do luto”, diz a jovem. “Estou tentando ser forte pra ajudar minha mãe”, completa.

“Não é acidente, é chacina”; relatos de parentes das vítimas

Fonte: UOU

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